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A qualidade de um presunto ibérico não depende apenas do tempo de cura. Começa muito antes: na raça do porco, na sua alimentação, na vida na dehesa e numa elaboração lenta e cuidada. Compreender como se produz e como amadurece um bom presunto ibérico ajuda a escolher melhor, a distinguir as diferentes categorias e a conservar corretamente o presunto depois de aberto.
Produção do presunto ibérico: a qualidade começa muito antes da cave
A produção de um presunto ibérico de qualidade começa muito antes de a peça entrar na cave de cura. No mundo do ibérico, o resultado final depende em grande parte da origem do animal, da percentagem de raça ibérica, da alimentação e do tipo de criação.
Nos presuntos ibéricos de bellota, a fase mais importante de engorda acontece na dehesa. Durante a montanera, os porcos ibéricos vivem em liberdade e alimentam-se de bolotas, ervas e outros recursos naturais. Esta etapa influencia diretamente a infiltração da gordura, a textura da carne e o sabor final do presunto.
Depois começa a elaboração propriamente dita da peça: salga, lavagem, repouso, secagem e maturação. Nos presuntos ibéricos de qualidade, especialmente em zonas de grande prestígio como Jabugo, cada fase é realizada de forma lenta e controlada. O objetivo não é acelerar o processo, mas permitir que o presunto perca humidade pouco a pouco, que o sal se distribua de forma equilibrada e que os aromas se desenvolvam naturalmente.
Por isso, a cura por si só não faz milagres. Uma boa maturação pode afinar e valorizar uma grande peça, mas não pode transformar uma matéria-prima mediana num presunto excecional. A verdadeira qualidade de um presunto ibérico nasce no campo.
Cura do presunto ibérico: quanto tempo precisa uma boa peça?
A cura do presunto ibérico exige paciência. A regulamentação espanhola estabelece tempos mínimos de elaboração para os presuntos ibéricos, mas os produtores mais exigentes trabalham frequentemente com períodos muito mais longos, sobretudo quando se trata de peças de bellota e de maior tamanho.
Num presunto ibérico de gama alta, a maturação pode prolongar-se durante vários anos. Durante esse tempo, a peça perde água de forma progressiva, o sabor concentra-se e a textura torna-se mais complexa. A gordura infiltrada também evolui: fica mais macia, mais aromática e contribui para essa sensação untuosa e persistente na boca, tão característica dos melhores presuntos ibéricos.
É importante reter uma ideia simples: mais tempo não significa automaticamente mais qualidade. No entanto, um grande presunto ibérico precisa de tempo. A cura deve ser lenta, equilibrada e adaptada a cada peça.
Como reconhecer um presunto ibérico de qualidade
Para reconhecer um presunto ibérico de qualidade, a primeira coisa a observar é o selo oficial colorido colocado na peça. Em Espanha, os presuntos ibéricos são identificados através de um sistema de cores que permite perceber rapidamente a categoria do produto.
O selo preto corresponde ao presunto de bellota 100% ibérico, a categoria mais alta e a única que pode ser chamada Pata Negra em sentido estrito. O selo vermelho identifica os presuntos de bellota ibéricos provenientes de porcos 50% ou 75% ibéricos. O selo verde corresponde ao presunto ibérico cebo de campo, enquanto o selo branco identifica o presunto ibérico cebo.
Tabela resumo dos selos do presunto ibérico
Cor do selo
Categoria
Raça ibérica
Alimentação e criação
Preto
Presunto de bellota 100% ibérico
100% ibérico
Alimentação com bolotas na dehesa durante a montanera. É a categoria conhecida como Pata Negra.
Vermelho
Presunto de bellota ibérico
50% ou 75% ibérico
Alimentação com bolotas na dehesa durante a montanera
Verde
Presunto ibérico cebo de campo
50%, 75% ou 100% ibérico
Criação ao ar livre ou em sistema extensivo, com alimentação mista
Branco
Presunto ibérico cebo
50%, 75% ou 100% ibérico
Criação em exploração, com alimentação principalmente à base de rações e cereais
Além do selo, vale a pena observar o aspeto da peça. Um bom presunto ibérico apresenta normalmente uma boa infiltração de gordura, carne brilhante, aroma intenso e uma textura flexível. A gordura deve ser macia e fundente, não seca nem dura. A denominação de venda também deve ser clara e completa. Num produto de qualidade, a informação sobre raça, alimentação e categoria deve ser fácil de identificar.
Como conservar um presunto ibérico depois de aberto
Conservar corretamente um presunto ibérico é essencial para manter as suas qualidades. Depois de iniciada a peça, o ideal é guardá-la num local fresco, seco e bem ventilado, longe de fontes de calor e da luz solar direta.
Depois do corte, recomenda-se cobrir a superfície exposta com uma fina camada de gordura branca retirada do próprio presunto. Assim, protege-se a zona de corte e reduz-se a oxidação. Também se pode cobrir a peça com um pano limpo de algodão, evitando envolvê-la de forma totalmente hermética durante longos períodos, pois o presunto precisa de respirar.
Se o presunto ibérico já estiver fatiado e embalado a vácuo, deve ser conservado no frigorífico. Antes de consumir, convém retirá-lo com alguma antecedência para que recupere gradualmente a temperatura ambiente. Um presunto ibérico servido demasiado frio perde aroma, e a gordura não chega a fundir corretamente, reduzindo bastante o prazer da degustação.
Conclusão
A qualidade de um presunto ibérico não depende de um único fator. É o resultado de uma cadeia completa: raça ibérica, alimentação, tipo de criação, elaboração cuidada e cura lenta. Por isso, para escolher bem, não basta olhar para o nome. É preciso verificar o selo, ler a categoria, observar a peça e saber como conservá-la depois de aberta. É isso que faz a diferença entre um presunto qualquer e um verdadeiro presunto ibérico de qualidade.